CORRE-CORRE



E é um corre-corre

Aii meu pé

Nem me fale, tchau

O que éééé?


Eu quero chá

Quero choco-leite-café

Conversar com o paxá

Beber com o pajé


Vale florido

Brisa fria-quente

Meu amor, meu querido

Ardendo ardente.


Luzia Faria


MALAMADA
Um medo enorme
Implode
Faço
Não faço
Descompasso
O medo explode
Me amar-cesso
Me desfaço

Será que pode?
Pelo avesso
Adoeço
Não mereço

Me morde.
INTERRUPÇÃO
Oh, inconsolada tristeza
Onde te suspirei?
Como consequiste
Adentar em meu sangue?
Deixando triste todo meu ser
Todas as minhas lembranças
Todas as esperanças
de continuar a nascer.

Oh, malfagada tristeza
Afasta-te
Liberta-me de teus lábios
sedentos de minha alegria.
LUZIA LUZIA


ESPERANZA
ESPERANÇA
INCANSÁVEL ALIANÇA
PARA A VIDA CONTINUAR.
BIJUZINHO COM RAIZ FORTE

OH, MEU MENESTREU, MALAZARTE, DOCE POETA
PIMENTA ARDIDA, CAVALO PISOTIADOR
MENINO, VELHO, CACHAÇA, MELODIA,FLOR.

TÃO LONGE,TÃO PERTO
TÃO MEU, TÃO IGUAL
TÃO ÚNICO, TÃO UNIVERSAL, TÃO RUBOR.

MÃO NO DESALENTO
ESPERANÇA NO SOFRIMENTO
NECESSIDADE NA DOR.
VIDA
SAUDADE DO AMANHECER
QUANDO TUDO AOS OLHOS SE ILUMINA
A AVENTURA BROTAVA
E TUDO ERA CONHECER

À TARDE, TARDES QUENTES
DE SOL DOURADO, FORMAS FORMOSAS
ARQUEIROS E ANJOS ALADOS
SETAS CERTEIRAS, INCANDESCENTES
SETAS DIRETAS, CONTINUAS, ESPIRALADAS, INDECENTES
PARALELAS, DISPERSAS, MAS SEMPRE FLAMEJANTES
DE QUEM TUDO PODE GOZAR

COMO O SOL DA TARDE
NO DESERTO
QUANDO A AREIA ARDE
A PELE QUEIMA
OS LÁBIOS CRAQUELAM,
SUAS AZAS OS PROTEGEM
TUDO PODE GOZAR
JANELA


Quão expressivo
Quão janela
Quão termômetro
São os olhares
Olhares que abraçam
Olhares que lêem a alma
Olhares que intimidam
Os que nos levam a palma
Olhares que fingem não olhar
Os mais profundos que o mar
E olhos espelhos
Onde vemos o que não queremos ver.



Luzia Faria
HHUUUMMMM

A sensibilidade totalmente aguçada pelo sentimento tolo da paixão que me toma por completo, e meu ser grita, contrai-se, extasia-se, entorpece-se, perece, anima-se, aviva-se, rir-se e chora, da alegria solitária de ter-te navegando em meu sangue, estas em meu cérebro minha cerotonina querida, não necessito fechar os olhos para sentir os teus lábios roçando os meus, tua respiração acompanhando a minha como se respirassemos o mesmo ar, a mesma vontade, a mesma música, a mesma cor. Ah paixão maldita, que me divide, inebria, entorpece, desconcentra. Ahhh tesão louca, que me mantém na boca, esta sede não pouca de te amar, amar, amar infinitamente.
Lugzia Fariat

NEVE

Sinto-me salgueiro
Vivendo tempos de nevasca
A neve pesa-me
Gela-me
Minha cor agora é branca
Branca de neve, solta-me
Preciso sentir o vento
O amarelo quente do Sol


O néctar congelou
A linfa também
Quase morte
Quase morte total.

Luzia Faria

MEDO DE MIM
Medo de mim
Medo do tesão
Medo da solidão
Medo da viração

Da submissão
Da inanição
Da perversão
Da intenção

Na partida
Na corrida
Na decorrida
Hora de amor


Luzia Faria
COMO TARTARUGA


Como tartaruga, corro
Luto, para chegar ao mar
Vou mergulhar, me limpar
Hidratar
Busco, avanço
Recuos, percalços
Vem mar
Venha me banhar
Neste mar amar,
De tuas ondas.


Luzia Faria
MEU DESEJO

Meu desejo é de que todos os dias
Junto com amanhecer
Juntamente com o canto dos sabiás, araras e cotovias
Venha o enternecer

A todos.


Onde a bandeira hasteada
Sempre empunhada
Fosse incondicionalmente
O Amor.

A todos.
Brasileirinhos

Arroz com feijão
Carninha no prato
Áqua na boca
Sorri o coração.


É só satisfação.

Amanhã tem?
PLATÔNICO II
Desvio o olhar
Da tua face
Para não me trair
Para que tu não percebas
Nos meus olhos
A alegria de olhar- te.

Desvio o olhar da tua boca
Para que não vejas
O tremor dos meus lábios
Querendo-te.

Quando os meus olhos famintos
Dos teus carinhos ...
Carinhos da tua pele,
Na minha rósea-avermelhada pele quente.

Desvio o olhar
Não posso
Não devo te olhar
Não devo ter teu olhar.

Quando no leito, enferma
Em meu delírio
Tu lá estavas
Delirava e te observava, admirava ...
Nobre egípcio
E eu continuava a olhar.
Olhava-te
E tu nem sabias.


Kyrie eleison



Oh mãe
Mãe querida
Mãe Amada
Tigresa mãe mamãe

Aos trinta meses
Ainda fortificava-me com seu lactis.
Mãe Amor
Saudosos tempos estes
Colo, carinho, rosa flor.

Lampião na escuridão
Pois a justiça sempre evidenciava
Pela justitia não tinha dengo, chamego ou bofetão.

Mãe carvalho ensinava
Coragem, coragem, coragem
Medo? Em tempo algum
Saudades me tomam
Os olhos molhados queimam
Lembranças me ardem a alma
Queria ouvir tua voz doce
A falta que faz tua alegria
Viva alegria
É certo sem dúvida, aquele que rompeu o látex
Um feminino te amaria
Sempre.

Á minha mãe querida,
Mãe Maria,
Mãe José,
Mãe Maria José.



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